A Sala Secreta do Lago
Um curioso mangá da era pré-Tezuka.

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Um antigo e esquecido mangá de 1949, já em domínio público, foi lançado oficialmente no Brasil em 2025. Trata-se de um tardio, porém importante registro de uma época do mangá que é pouco conhecida fora do meio dos pesquisadores de quadrinhos e cultura pop japonesa. É o mangá de aventura e fantasia A Sala Secreta do Lago, de Kennosuke Niizeki (1900~1953).
Aos olhos de alguém acostumado com os quadrinhos japoneses atuais, o título sequer poderia ser considerado um mangá, tendo um traço que lembra mais o cartoon americano e a HQ francesa. Porém trata-se de um legítimo representante de uma época anterior à era moderna do mangá, iniciada por Osamu Tezuka (1928~1989). Criador de clássicos como Astro Boy, Kimba e A Princesa e o Cavaleiro, Tezuka é celebrado como o mais importante e influente autor de mangá de todos os tempos, o Deus do Mangá, aquele que codificou o que conhecemos como mangá moderno. No entanto, ele estava longe de ser o pioneiro, e sim alguém que foi influenciado por vários autores que vieram antes dele e cujas técnicas e estilos Tezuka soube filtrar, aproveitar e aperfeiçoar ao seu modo. O lendário artista começou a publicar em 1946, mas foi na década de 1950 que ele se estabeleceu como o maior autor de mangá de todos os tempos, atingindo uma potência narrativa e gráfica que transformaria toda a indústria editorial japonesa.
Assim como na filosofia ocidental existe a figura fundamental de Sócrates, a ponto de denominar seus antecessores de filósofos pré-socráticos, cabe perfeitamente usar o termo pré-Tezuka para denominar trabalhos anteriores ao gênio que revolucionou o mangá. Um dos mestres que influenciou Tezuka foi Kennosuke Niizeki, que teve uma carreira extensa e produtiva.

A história lançada no Brasil foi publicada originalmente em 1949. Conta a história do menino Isamu e seu pai, o cientista Dr. Shigeno, que está envolvido com o desenvolvimento de um super alimento, o que pode revolucionar a ciência mundial. Mas ele está preocupado com um antigo amigo que se tornou um rival, o Dr. Kusai, que se aliou a pessoas inescrupulosas interessadas em suas pesquisas.
São diversas historinhas curtas, sempre com três quadros por página. O desenho é bastante estilizado e limpo, e ao mesmo tempo muito comunicativo, fluido. Foi feito voltado a crianças e o roteiro deve ser visto como um produto de seu tempo, quando não se via problemas em mostrar em uma HQ uma criança atirando com uma arma de fogo. Mas tudo é muito leve, com uma atmosfera de aventura e descobertas de uma época mais ingênua e otimista.
O Japão pós-guerra ansiava por histórias otimistas e que mostrassem esperança em um futuro com a ciência sendo usada para o bem. E nisso o autor se mostrou excelente.
A edição brasileira foi lançada pela Novo Verso Editora, inicialmente em edição digital para Kindle, mas também é possível comprar uma edição impressa sob demanda. A publicação, bastante acessível, é também desprovida de componentes editoriais, exceto uma breve biografia do autor, cujo ano de nascimento informado é 1898, o que está em desacordo com referências japonesas consultadas, que apontam o ano de 1900.
Como produto, é bastante básico, mas serve como um registro histórico de um período obscuro do mangá, e importante para entender seu desenvolvimento. Indicado para pesquisadores e estudiosos do assunto.
Confira mais reviews de mangá A Sala Secreta do Lago Título original: Mizuumi no Himitsu Shitsu ~ 湖の秘密室 (1949) Roteiro e arte: Kennosuke Niizeki Lançamento: Novo Verso Editora (2025) Tradução: Larissa Shibuya Comba Formato: 14 x 21 cm, com 72 páginas Volume único Classificação indicativa: Livre











