Dragon Ball Super: Beerus - Primeiras impressões
Hora de revisitar o arco do Deus da Destruição Bills pela terceira vez.

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Por Alfredo Carvalho [*]
Após a sua conclusão em 2018, o anime Dragon Ball Super entrou em um hiato de oito anos, com a sua história sendo continuada pelo mangá e também com alguns filmes lançados durante esse período. Considerando o nível de popularidade dessa série, era uma certeza para os fãs que o retorno dessa série era só uma questão de tempo, e isso finalmente aconteceu no último domingo, 11 de outubro.
No entanto, apesar da notícia de que o arco Patrulha Galáctica já está em produção e tem lançamento previsto para o próximo ano (2027), o que está sendo exibido neste momento não é exatamente uma aventura inédita, mas sim uma versão aprimorada do anime de 2015, que desta vez foi intitulada de Dragon Ball Super: Beerus.
Este anime pode dividir a opinião de muitos fãs e fazê-los se perguntar se a existência deste produto é realmente necessária, mas, ao entender o que foi o lançamento desastroso da versão original de 2015, é possível afirmar que Dragon Ball Super: Beerus é a justiça que essa série merecia. Ao mesmo tempo, dá para entender a frustração daqueles que estão há anos esperando por algum material inédito e acabam recebendo uma terceira releitura de um mesmo arco.
Para fins de contexto, o arco do Deus da Destruição Bills foi lançado pela primeira vez em 2013, no longa-metragem Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses, que marcou o retorno da franquia após um hiato de 16 anos. Na época, o filme rendeu uma bilheteria de U$ 50 milhões, tendo um orçamento estimado de aproximadamente U$ 5 milhões, sendo o suficiente para garantir uma sequência lançada em 2015, intitulada de Dragon Ball Z: O Renascimento de Freeza. Com o mesmo orçamento estimado de seu antecessor, a continuação rendeu mais de U$ 60 milhões em bilheteria, que sinalizou para Toei Animation que Dragon Ball ainda possuía fôlego para competir com as produções recentes. Diferenças visuais:
Ainda em 2015, a Toei Animation anunciou que Goku e sua turma retornariam em um novo anime, uma notícia que deixou os fãs bastante eufóricos e em clima de festa. Entretanto, havia um problema que iria impactar diretamente na qualidade do anime. A nova fase do anime, chamada de Dragon Ball Super, não recebeu o devido planejamento por parte da Toei e estreou poucos meses após o seu anúncio, trazendo uma animação precária e modelos que são vistos como memes até os dias de hoje nas redes sociais.
Para piorar o desânimo, os primeiros capítulos do anime de 2015 readaptou os acontecimentos dos dois primeiros filmes, sendo as únicas diferenças a qualidade de animação, que era extremamente inferior à dos filmes, e a narrativa, que era mais arrastada, trazendo situações que não acrescentavam em nada na trama, como, por exemplo, o porquinho Oolong disputando uma partida de jokenpô com o Bills.
Além disso, muitos reclamaram do tom mais voltado para o humor, que tirava a sensação de perigo de algumas cenas e fazia personagens como o Goku parecer um grande bobalhão, algo que definitivamente ele não era nos arcos de Dragon Ball Z.
Apesar de Dragon Ball Super parecer uma tragédia anunciada, com o tempo o anime melhorou a sua qualidade e trouxe sagas que estão até hoje entre as favoritas dos fãs, como o arco do Goku Black e o do Torneio do Poder. Todavia, até 2018, o anime e o mangá eram lançados simultaneamente, com o autor original da série, Akira Toriyama (1955~2024), escrevendo a base dos roteiros para as equipes de produção do mangá e do anime.
Desta maneira, o mangaká de Dragon Ball Super, Toyotarō, ficava responsável pelo mangá, enquanto a Toei cuidava da animação, o que resultou em diferenças significativas na maneira como alguns eventos se desenvolveram e também no anime ficando à frente do mangá. Por conta disso, o anime foi pausado em 2018 para que desse tempo do mangá produzir mais conteúdos para serem adaptados.

Só que, mesmo com as melhorias que o anime recebeu no decorrer de seus arcos, aquela má impressão causada pelos primeiros episódios nunca foi esquecida, e Dragon Ball Super acabou ficando marcado por ser um produto de baixa qualidade aos olhos de muitos.
A nova edição Dragon Ball Super: Beerus chega para tentar limpar a reputação da franquia, trazendo pela terceira vez o arco do Deus da destruição. A base da história é a mesma, com Bills despertando de seu longo sono de 39 anos, após sonhar com a existência do Deus Super Saiyajin. Só que algumas mudanças ficaram mais evidentes.
A primeira delas diz respeito ao traço, que agora passa uma impressão real de desenho animado e deixa de lado aquela estética mais lavada, que fazia com que a pele dos personagens ficassem o tempo todo reluzentes. Muitas cenas foram reaproveitadas da edição anterior, enquanto outras foram redesenhadas.
Pequenos detalhes, como uma simples expressão facial, podem ser notados, aos quais ajudam a amenizar muitos dos problemas que eram evidentes na versão de 2015, como por exemplo, o fato de Goku parecer um bobalhão na maior parte do tempo. O mesmo também pode ser visto no personagem Bills, que agora está muito mais sério e deixa muito mais evidente o seu tom de ameaça — como um Deus da Destruição capaz de fazer qualquer planeta desaparecer em questão de segundos.

Tanto no filme quanto no anime de 2015, Bills passava um ar de comédia, algo que, pelo menos neste primeiro episódio, não ficou tão evidente.
Algo que DB Super: Beerus precisa fazer no decorrer da série é trazer aquele equilíbrio visto no Z, com momentos descontraídos, que exploram a parte mais humorística que sempre esteve presente na franquia, desde o Dragon Ball clássico, assim como também conseguir manter a seriedade em momentos de batalha, fazendo com que realmente exista uma sensação de perigo. Isso vale tanto para Goku quanto para Bills.
Dragon Ball Super: Beerus terá um total de 19 episódios, adaptando os arcos do Deus da Destruição Bills, o renascimento de Freeza e o torneio entre o Universo 6 e 7. Neste primeiro momento, o ritmo tem se mostrado bastante satisfatório; resta aguardar se isso se manterá nos próximos capítulos.
Por ora, o único defeito fica por conta da redundância de termos uma mesma história sendo refeita pela terceira vez em um intervalo de menos de 20 anos.
Avaliação: Nota 8,0 (de 10).
Classificação indicativa: 12 anos.
[*] Alfredo Carvalho é o criador do canal Spider Bunker.
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NOTA: A seção "Primeiras Impressões" analisa apenas o primeiro episódio de cada série em questão.











