Gavan Infinity: Primeiras impressões
- Ale Nagado

- há 25 minutos
- 4 min de leitura
Algumas análises e considerações sobre a estreia do Project R.E.D., o ambicioso projeto de ficção científica e aventura da Toei Company.

No último dia 15, estreou no Japão a série Chou Uchuu Keiji ("Super Policial do Espaço") Gavan Infinity, a primeira produção da Toei Company com seu novo universo ficcional, o Project R.E.D., um lançamento bastante aguardado pelos fãs de tokusatsu pelo mundo.
Para o Brasil e América Latina, o streaming oficial ficou com o canal TokuSato, da Sato Company O primeiro episódio chegou uma semana após a exibição na TV Asahi do Japão, mas o segundo já veio em sistema simulcast. Dito isso, vamos à trama apresentada no primeiro episódio, que não tem relação alguma com o Gavan clássico:
Reiji Doki é um jovem e destemido investigador da Polícia da Federação Galáctica, uma organização que está envolvida na contenção de atos criminosos ou de destruição causados por humanos que tiveram contato com os Emorgear. Eles são seres de energia contidos em pequenas cápsulas, capazes de despertar grandes poderes em pessoas comuns.
Sorridente e despreocupado, Reiji é bastante seguro de si e parece desleixado, mas luta com precisão e intensidade quando veste seu traje. Ele se transforma no Policial do Espaço Gavan Infinity ativando seu Emorgear pessoal, chamado Gekido (leia "Guekidô").
Na era em que se passa a série, é conhecido o conceito de Multiverso, ou seja, a existência de incontáveis universos em dimensões paralelas, ou Cosmo Camadas. Reiji vive na Terra A (Alfa) 0073, um mundo onde vivem muitos alienígenas na sociedade, coexistindo em harmonia com os seres humanos, mas existem também os que causam problemas e cometem crimes. Qualquer semelhança com a situação atual do Japão, que está debatendo e restringindo a presença de estrangeiros em seu território, não é mera coincidência.
O tema deve ser tratado de forma leve, até por ser uma série infantil. O primeiro episódio, ao menos, apenas retrata uma situação, sem qualquer discurso anti-imigração, apenas dizendo que aqueles que cometem crimes, não importa quem sejam, devem ser punidos.
Além dos humanos (e aliens) causando problemas com os Emorgears, há também os Emons, seres monstruosos que dominam as pessoas e se escondem nas cápsulas.

O primeiro episódio mostra Reiji lidando com dois casos envolvendo as cápsulas Emorgear, com solução rápida. O segundo caso em questão o leva para a Terra Λ (Lambda) 8018, onde se encontra com o agente Setsuna Aikokuin, o Gavan Bushido, e o primeiro contato não é muito simpático.
Em termos de direção e roteiro, tudo é bastante corrido, tudo acontece rápido, pois parece haver pressa em apresentar personagens e fazer a história avançar. O ator que interpreta Reiji, Kouhei Nagata, desempenha bem as cenas de ação, mas seu personagem é bem desinteressante. Para acrescentar mais camadas, um rápido flash-back dá a ideia de que há um acontecimento traumático na vida de Reiji, algo que ainda será melhor explicado ao longo da série.
Sempre alegre e autoconfiante, tudo soa fácil para ele, e é difícil vê-lo como um herói destemido, pois tudo parece uma grande brincadeira. E por falar em brincadeira, faz parte da série um policial robô, o Patran, semelhante a um boneco de plástico, só que do tamanho de uma pessoa.
Parece apenas um alívio cômico, algo desnecessário em uma produção que se apresenta tão leve, mas obviamente está lá para aumentar o catálogo de brinquedos relacionados à série. Há uma batalha de naves e robôs gigantes no começo do episódio, que poderia até ser interessante, mas foi toda feita com um CG bastante óbvio, como é normal nas produções da Toei.

A dupla de garotas, na qual uma delas, Kiki Iwai, se transforma na Gavan Luminous, só entra em cena no segundo episódio, mas os trailers já mostraram que a heroína é do tipo sempre sorridente e empolgada, com uma parceira mais séria. Em vários momentos, muitas séries modernas parecem teatrinho de idols. Sorrisos ensaiados, desses de comercial de pasta de dente, tudo para deixar os fãs marmanjos apaixonados, em uma lógica de mercado de idols. Na equipe de produção, Atshuhiro Tomioka é o roteirista principal e Hirofumi Fukuzawa o diretor principal, com efeitos especiais a cargo de Hiroshi Butsuda. O tema musical da série, "Love is The Strongest", é cantado pela veterana May´n. Apesar de vibrante, a canção não tem uma melodia das mais inspiradas, parecendo um medley, com um arranjo meio genérico. Esse ar genérico, aliás, combina com a série. Tudo meio corrido, forçado, ensaiado.
Talvez seja uma questão geracional, mas este que vos escreve não sentiu conexão com a obra. Isso aconteceu também com Kamen Rider Zeztz, que ao menos é uma produção mais elaborada e melhor executada em sua proposta. Uma série ser boa do ponto de vista técnico (critério objetivo) ou ser divertida (critério subjetivo) não tem relação alguma com sentir identificação com ela.
Não só as armas, mas os atores também parecem feitos de plástico, num mundo onde tudo soa artificial. A série é bem produzida e pode melhorar muito, claro, mas o grande desafio é trazer alma para uma obra que chegou apostando tudo no visual, seja das armaduras, seja do elenco.
Avaliação do Sushi POP: Nota 5,0 (de10)

Mais "PRIMEIRAS IMPRESSÕES":
::: E X T R A :::
No último dia 15, junto com a estreia de Gavan Infinity na TV Asahi, a Columbia Records apresentou a versão completa do tema de abertura, cantada pela veterana May´n.
O single foi lançado em mídia física no Japão no último dia 15 e está disponível para todo o mundo em diversas plataformas digitais.
"Love is the Strongest"
Letra: Mike Sugiyama / Melodia: Hitomi Sano / Arranjo: Misato Tsuchiya
Intérprete: May´n
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