• Ale Nagado

Candy Candy

Um dos maiores clássicos shojo, com breve passagem pelo Brasil.

Candice "Candy" White

Candice White é uma garota que foi abandonada ainda bebê na porta de um orfanato cristão em Michigan, nos Estados Unidos. Ao seu lado, outra menina fora abandonada, de nome Annie. Acolhidas na Casa Pony, administrada por freiras, as duas crescem como irmãs.


Apelidada de "Candy", e menina tem grande liderança entre as crianças do orfanato e possui um guaxinim de estimação, que sempre a acompanha. Ela tem uma grande guinada em sua vida ao ser adotada por uma rica família, apenas pouco tempo depois de Annie também ter sido adotada.

Na casa da família Andrew, onde passa a morar, Candy conhece o galante Anthony Brown, pertencente ao mesmo clã que a adotou. Candy fica encantada com o rapaz, a quem ela imagina ter visto tocando gaita de fole e a quem se referia em seus pensamentos como "O Príncipe da Colina".

Assim, em meio a uma vida nova e cheia de desafios e alegrias, ela vive seu primeiro amor, sendo correspondida. Sua melhor amiga, Annie, também acaba sendo adotada por uma família rica. Mesmo seguindo rumos diferentes, a amizade entre elas permanece firme e inabalável e elas se esforçam para manter contato. A série alterna momentos de drama e humor, e o clima geral é cheio de otimismo. Uma grande reviravolta acontece quando, durante um passeio a cavalo, Anthony sofre um acidente fatal, para desespero de Candy. Sem forças para continuar vivendo naquela casa que passaria a ser associada à tragédia, a garota foge e retorna para o orfanato, encerrando mais uma fase de sua vida.

Série simpática com momentos de grande drama, Candy Candy é um dos maiores clássicos do mangá e animê shojo (para garotas) da segunda metade da década de 1970, sendo referência no gênero até hoje.

Novos desafios, na fase inédita no Brasil.

No Brasil, apenas a primeira etapa da série foi mostrada, culminando com a morte e o funeral de Anthony. Na trama, o acidente é presenciado por Candy, e a direção do episódio é tensa, com a cena de morte acontecendo ao entardecer, com a luz do crepúsculo dando uma atmosfera tensa e violenta à cena. Para uma produção marcadamente infanto-juvenil, deve ter sido um choque e tanto para o público. Daquele momento em diante, a vida de Candy segue cheia de dificuldades, pois ela estuda para se tornar enfermeira, na época em que eclode a Primeira Guerra Mundial. Mesmo vivendo nos EUA, ou seja, longe dos combates que ocorriam na Europa, ela conhece a crueldade humana e tenta ajudar os mais necessitados no hospital onde vai trabalhar. Candy volta a se apaixonar, desta vez por Terry, a quem conhece durante uma viagem. A vida da garota é marcada por decepções, perdas e escolhas difíceis, em uma longa jornada de amadurecimento com muitas renúncias e altruísmo. Nem sempre é uma história de fácil digestão, e ainda assim o enredo mantém uma doçura e um otimismo em relação à vida, com a protagonista sendo um exemplo de coragem, resiliência e amor ao próximo.

Candy no traço de Yumiko Igarashi.

De autoria de Kyoko Mizuki (história original) e Yumiko Igarashi (arte), o mangá que deu origem ao animê foi publicado na revista mensal Nakayoshi (Editora Kodansha) entre 1976 e 1979, sendo depois compilado em nove volumes. No Brasil, somente 25 episódios foram adquiridos, tendo sido exibidos pela TV Record na primeira metade da década de 1980. Para o público comum que acompanhou a série, a morte de Anthony era o final, mas muita coisa ainda iria acontecer, com o animê de 115 episódios cobrindo a vida de Candy até por volta dos seus 20 anos. Além da série, três curtas para cinema foram produzidos, sendo os dois primeiros de 1978 e o último, de 1992. A produção fez tanto sucesso que na Itália uma continuação foi autorizada a ser produzida com autores locais, com a história tendo desdobramentos diferentes da obra original. Infelizmente, houve brigas judiciais envolvendo direitos autorais entre a escritora Kyoko Mizuki e a desenhista do mangá, Yumiko Igarashi, o que acabou envolvendo também a Toei Animation. Isso gerou vários problemas jurídicos na área de licenciamento, inclusive dando brechas para lançamentos piratas em alguns países e até adaptações não-autorizadas, o que prejudicou a viabilidade comercial da obra. Independente disso, Candy Candy ainda é lembrada e referenciada como um dos maiores clássicos femininos, uma obra que extrapolou sua demografia original e se tornou uma das mais icônicas obras dos quadrinhos e desenhos animados japoneses.


- Alexandre Nagado

::: FICHA TÉCNICA :::

Título original: Candy Candy ~ キャンディ・キャンディ Estreia no Japão: 01/ 10/ 1976 Número de episódios: 115 Criação: Kyoko Mizuki e Yumiko Igarashi Planejamento: Kasuga Higashi (Asahi Tsushinsha), Yasuo Yamaguchi, Kazuki Shigeno (Toei Animation)

Roteiro: Shunichi Yukimuro, Noboru Shiroyama Character design: Mitsuo Shindo Trilha sonora: Takeo Watanabe Direção: Hiroshi Shidara, Osamu Kasai, Hiromi Yamamoto, Hidenori Yamaguchi, Yugo Serikawa, Tetsuo Imazawa e outros. Produtor: Matsuji Kishimoto Realização: NET - TV Asahi, Asahi Tsushinsha e Toei Animation Emissora no Brasil: TV Record


::: E X T R A S :::


1) Candy Candy - Abertura Letra: Kyoko Mizuki / Melodia: Takeo Watanabe Intérpretes: Mitsuko Horie e The Chirps - Canção belíssima que fez grande sucesso na época da série. Tanto a abertura quanto o encerramento originais foram mostrados na TV Record.


2) Ashita ga Suki ("Eu gosto do amanhã") ~ live

Letra: Kyoko Mizuki / Melodia: Takeo Watanabe

Intérprete: Mitsuko Horie

- O tema de encerramento, em um show comemorativo da carreira da grande Mitsuko Horie, a rainha das anime songs. Uma das mais bonitas canções japonesas de todos os tempos, na humilde opinião deste que vos escreve.

3) Candy Candy ~ live

Intérpretes: Mitsuko Horie e Yoshimi Iwasaki

- O encontro de duas estrelas. Yoshimi Iwasaki é famosa pelo tema do animê Touch.

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