• Ale Nagado

Cosplay: Diversão e Arte

Trazendo personagens da ficção para o mundo real.

Shinobu, de Demon Slayer

De todos os termos ligados à cultura pop japonesa, um que extrapolou as fronteiras do fandom e invadiu a mídia tradicional em tempos mais recentes é o cosplay. O termo vem de “costume play”, ou roupa de brincar ou interpretar. Atrações em eventos, também são figuras recorrentes em reportagens na mídia, por seus visuais exóticos.


A arte e hobby de se fantasiar e interpretar um personagem ficcional é uma verdadeira febre entre fãs das mais diferentes atividades e até faixas etárias, apesar da predominância de jovens. Mas a história dessa prática é bastante antiga, com mais de um século de existência. Sem contar fantasias para festejos populares, vamos seguir a definição de cosplay para uma fantasia baseada em personagem ficcional, veiculado em alguma mídia, em oposição a figuras folclóricas. Assim, um dos primeiros registros conhecidos de algo próximo de um cosplay foi relacionado a histórias em quadrinhos de ficção científica.

Chun Li, de Street Fighter

A série Mr. Skygack, from Mars, do cartunista A.D. Condo, conquistou muitos fãs nos EUA na primeira década do século XX, sendo apontado como o primeiro quadrinho de ficção científica.


Em 1908, um casal, o sr. William Fell e sua esposa (nome desconhecido), apareceram em um rinque de patinação nos EUA, na cidade de Cincinnati, estado de Ohio, vestidos como personagens dessa HQ. Dois anos depois, uma mulher cujo nome se perdeu nos registros ganhou um concurso em Washington com uma fantasia também inspirada nessa HQ. Seriam essas as primeiras manifestações do que seria conhecido como cosplay.

Capitão Harlock

Mais de 30 anos depois, veio o primeiro registro em um evento temático. Foi na Worldcon, a convenção mundial de ficção científica que começou nos EUA em 1939. Nesse ano, uma mulher chamada Myrtle R usou um vestido que apareceu no filme Things to Come, clássico da ficção científica de 1936. Ao seu lado, o editor de ficção científica Forest J. Ackerman usou um traje futurista de criação própria. Depois de uma interrupção em 1941 por causa da Segunda Guerra Mundial, a Worldcon voltou a acontecer em 1946 e está firme até hoje, sendo coordenada pela entidade The World Science Fiction Society. A atividade de se fantasiar de personagens começou a ganhar força com as convenções sobre Star Trek, que tiveram início em 1972 nos EUA. Pessoas usando uniformes da Frota Estelar se tornaram figuras comuns, mas alguns iam mais longe, caracterizando-se como algum personagem específico da longeva franquia. Hoje, não há convenção ligada a quadrinhos, desenhos animados, cinema e games que não tenha a presença de cosplayers, seja em concursos ou transitando pelo local. Mas o país que mais abraçou o cosplay foi a Terra do Sol Nascente, especialmente com personagens de mangá, animê, game e tokusatsu.

Sakura, de Naruto

O termo cosplay foi cunhado no Japão pelo produtor Nobuyuki Takahashi, do Studio Hard. Ele usou o termo em um artigo que escreveu para a edição de junho de 1983 da revista My Anime. Juntando as palavras anglófonas "costume" (de "roupa") e "play" (de "brincar" ou "interpretar"), ele definiu um hobby que já estava sendo praticado por uma parte do público otaku japonês. Até então, a atividade era chamada no Japão de "kasô". Logo, o termo cosplay se popularizou por lá e hoje é usado em todo o mundo.


Os cosplayers, que não só se vestem como também interpretam seus personagens favoritos, começaram a virar atração nos eventos onde comparecem, como os badalados Comiket e Tokyo Game Show.

Boa Hancock, de One Piece

O Comiket, ou Comic Market, é a maior feira de quadrinhos do mundo, com público estimado em mais de 550 mil pessoas. Basicamente uma feira de fanzines e revistas independentes, o evento surgiu modestamente em 1975 e agigantou-se de tal forma que é um dos maiores eventos de cultura pop do mundo, sendo um sucesso até hoje, com dois eventos anuais: um em agosto e outro em dezembro.


Já o Tokyo Game Show existe desde 1996 e é uma feira empresarial anual onde os grandes fabricantes mostram seus produtos. Mais de 260 mil pessoas frequentam o evento, que é um dos mais badalados do país. No TGS, cosplayers profissionais são contratados para animar os estandes, tamanho o fascínio que exercem no público. A área se profissionalizou no Japão, com cosplayers ganhando para sessões de fotos promocionais, algo que atrai muitos fãs para muitos personagens e franquias.

Nezuko Kamado, de Demon Slayer

No Brasil, o cosplay começou a ser praticado nos eventos temáticos e hoje são atrações tão valorizadas em eventos quanto são no Japão. Os dois maiores eventos de cultura pop já realizados no Brasil, o CCXP (Comic Con Experience) e o Anime Friends são invadidos por animados e caprichosos cosplayers em cada edição. E não apenas esses que acontecem em São Paulo, mas cada evento de animê ou cultura pop no Brasil tem a presença marcante de cosplayers, mostrando que a atividade veio para ficar. Além disso, no concurso internacional World Cosplay Summit, realizado anualmente em Tokyo, três edições já foram vencidas por brasileiros, mostrando que há muitos talentos no país. O que começou há muito tempo como uma brincadeira chega aos dias de hoje combinando costura, maquiagem e teatro para compor verdadeiras encarnações de personagens da ficção. Para quem faz e quem assiste, é sempre uma diversão e um encantamento.

Asuka, de Evangelion

Attack on Titan

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