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O final de Ultraman Blazar

Algumas considerações sobre o final da mais recente série do Universo Ultra.


Atenção: Contém revelações sobre o final da série de TV. Para um texto de apresentação sobre Ultraman Blazar, com sinopse, primeiras impressões e ficha de produção, confira:



Chegou ao fim, no último dia 19 de janeiro, a série Ultraman Blazar, que o público brasileiro pôde ver simultaneamente ao japonês, com legendas oficiais em português. Então, é o momento de tecer algumas considerações sobre essa produção, que merece um olhar atencioso.


Os segredos que se desenrolaram em boa parte da série, envolvendo um misterioso incidente com alienígenas ocorrido anos antes, foi revelado de modo satisfatório, respeitando a inteligência do espectador.


O personagem do diretor Yu Dobashi foi apresentado como sendo o responsável pelo ocultamento de um incidente obscuro, no qual uma nave alienígena fora abatida pelas forças da Terra. Sua figura, aparentemente vilanesca, revela mais camadas, assim como o general Haruno, que tem um importante papel no final.

Episódio 25: "Aqueles que abraçam a Terra."

A saga apresentou três ondas de ataques de monstros espaciais que foram enviados pelo mesmo ponto, através de um buraco negro (ou "buraco de minhoca") a mando do povo de V99, que desejava se vingar e se prevenir contra o povo da Terra, que destruiu uma nave de exploração, matando todos a bordo, por julgar ser uma nave de guerra.


Após duas tentativas anteriores com monstros que foram destruídos, o povo de V99 deflagra um ataque grandioso com monstro Varallon, que ameaçava tirar a Lua de órbita com poderosos explosivos. Isso leva Blazar e o robô gigante Earth Garon, pilotado pelos membros da SKaRD, a um confronto desesperado no espaço. As cenas de ação no espaço e na Lua (episódio 24) foram muito boas, com a excelente direção de Kiyotaka Taguchi.


Durante toda a série, Blazar não fala, se comunicando apenas com gritos e grunhidos, demonstrando ser um guerreiro um tanto primitivo. No entanto, assim como ele demonstrou várias vezes que tem inteligência e sentimentos nobres, ele também se mostra capaz de se comunicar com palavras com Gento, coisa que faz rapidamente em um momento importante da história. O derradeiro episódio 25 da série trouxe a medida exata de ação e drama.


O último arco, com os episódios 24 e 25, teve roteiro de Keigo Koyanagi e direção de Kiyotaka Taguchi, um dos melhores de sua geração.

Varallon, o destruidor final.

O final trouxe uma cena genial da oficial Emi conversando com Earthy, a Inteligência Artificial do Earth Garon. O robô fora desenvolvido com parte da tecnologia alienígena da nave abatida, e devia ter muitas informações acerca do incidente que permitiu sua criação. Emi pergunta sobre os alienígenas de V99 e Earthy responde que não poderia falar nada sobre o assunto, pois assim fora programado. Na vida real, aliás, é como as inteligências artificiais têm sido programadas, para não tocar em certos assuntos e assim proteger certos interesses. Então, Earthy, após responder a Emi que considerava os membros da SKaRD como seus amigos e que devia ajudá-los, dá um "jeitinho". Ele não podia falar, mas disponibilizou para Emi um arquivo com as informações que ela usou para esclacer o que estava acontecendo.


A situação foi desenvolvida e concluída de modo satisfatório, exaltando a importância da comunicação entre os povos para desfazer mal-entendidos, como o que deflagrou as hostilidades. Foi uma solução simplista, mas para uma série infanto-juvenil de 25 episódios, foi desenvolvida de modo interessante, com boas interpretações e uma direção bastante competente. É algo muito diferente de séries que vão por um caminho mais caricato e infantil, como a maioria das séries tokusatsu. Há uma certa sobriedade permeando a série, não no sentido de parecer "adulta", mas coerente com uma visão mais madura das situações. E não foi uma série enfadonha; pelo contrário, entregou bastante ação e sempre com um toque de humor e muita fantasia.


Um aspecto decepcionante de Blazar foi a presença da família do capitão Gento Hiruma. No início, apresentou-se um potencial dramático enorme, pois o herói precisava liderar uma tropa de elite contra monstros, lutar pessoalmente em segredo como o hospedeiro de Ultraman Blazar e ainda se fazer presente para proteger sua família e ser um bom pai para seu filho pequeno. No entanto, a participação da esposa e filho de Gento foi mínima, e em momento algum eles foram seriamente ameaçados ou foram motivo de grande preocupação. Era quase como um elemento de ternura entre uma batalha e outra.


Em termos de peso dramático, a família de Leito Igaguri, hospedeiro de Ultraman Zero e herói coadjuvante na série Ultraman Geed (2017), teve muito mais impacto. Ainda assim, a cena final pós-créditos, com uma cena familiar, é tocante.


A série também ficou devendo uma explicação sobre a origem de Blazar. Ele não vem do mesmo mundo que os Ultras clássicos ou de qualquer outro mundo similar que faz parte do Multiverso Ultra, e nada se explicou sobre suas atitudes mais selvagens. Dificilmente o vindouro longa-metragem irá detalhar algo sobre isso, restando a ele somente aparecer, sem qualquer explicação, ao lado dos demais Ultras em algum filme ou série, como coadjuvante.


Em termos de produção, é perceptível que os valores de produção melhoraram um pouco. O primeiro episódio é cinematográfico. Parte do mérito se deve ao diretor principal, Kiyotaka Taguchi, que há anos é um dos melhores no campo do tokusatsu. Seu uso de câmeras é primoroso, e em Blazar ele também cuidou do planejamento da série. Faltou, conforme mencionado, um melhor desenvolvimento de personagens que poderiam ter rendido mais.


Um outro ponto negativo a se mencionar é que a série teve cinco recaps (episódios de recapitulação), sendo um deles contado como episódio normal e os outros quatro como "episódios especiais". As séries Ultra têm geralmente um episódio recap no meio da saga, eventualmente mais um no decorrer dela, mas Blazar bateu o recorde. É bem possível que a produção tenha atrasado por cuidados com a parte técnica, superior às produções mais recentes para a TV. Mas, nada oficial foi dito, então são apenas especulações. Houve, ainda, dias em que a série fora suspensa na TV por conta de alterações na programação, sendo que a maioria dos recaps foi vista somente no YouTube.


Com a série vista em sua totalidade, o saldo final é positivo, pois a Tsuburaya Productions entregou uma série bem produzida, com bons atores, boas histórias e vários elementos diferenciados em relação a outras produções da franquia. Blazar trouxe evolução ao Universo Ultra e sua cronologia poderia ser expandida para além do filme. Para a próxima série Ultra, que deve ser apresentada em breve, as apostas estão altas.

Blazar: Início grandioso e final de alto nível.
 

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