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IGAGURI - O Jovem Judoca

O personagem precursor dos mangás sobre esporte, em uma edição especial.

Igaguri, um marco na História do mangá.
Igaguri, um marco na História do mangá.

Declaração: Este site NÃO utiliza IA em sua redação e elaboração. Rejeite conteúdo artificial e sem alma.


No Japão, ainda na primeira década do pós-guerra, as artes marciais que moldaram os jovens na escola foram proibidas durante um tempo pelas forças americanas de ocupação. Mas isso se mostrou uma medida infeliz, e as artes marciais, como esportes de competição, foram reintroduzidos nas escolas na década de 1950. Os campeonatos estudantis se tornaram importantes para o desenvolvimento físico, mental e moral dos jovens.


Em uma escola, conhecida como Colégio do Leste, chega certo dia o estudante transferido Kurisuke Igaya, um dedicado praticante de judô. Apelidado de Igaguri ("ouriço de castanha"), devido a seu corte de cabelo curto e espetado, o jovem judoca também ajuda seu pai, que tem um salão de barbearia.


Igaguri logo entra em atrito com o valentão da escola, apelidado de Kongu, mas este se mostra depois um amigo fiel e bom companheiro. O perigo mora na escola rival, o Colégio do Oeste, onde o trapaceiro Anko lidera o clube de judô. O objetivo de todos é chegar ao torneio nacional estudantil, conquistando a glória para si e para sua escola.


Bastante forte e habilidoso, Igaguri também é humilde, altruísta e tem um forte senso de justiça. Ele não hesita em agir para defender pessoas mais fracas que estejam sendo ameaçadas, e sua força vai se tornando conhecida muito além dos círculos estudantis. Outros lutadores cruzam seu caminho, como o honrado rival Yama-arashi e o sábio mestre Sugata. Mas o mais forte de todos os homens que conhece talvez seja Oniyama, um mestre de karatê arrogante, agressivo e sem nenhuma ética ou caráter.

Igaguri contra o maligno Oniyama.
Igaguri contra o maligno Oniyama.

Igaguri Kun é um curioso e divertido exemplo de mangá anterior à revolução estética e narrativa liderada por Osamu Tezuka (1938~1989) ainda na década de 1950. Com um traço estilizado e grande uso de linguagem corporal, a narrativa de Igaguri é bastante simples, didática, e os quadrinhos de cada história são até numerados, algo que já foi comum em outras partes do mundo no início de sua indústria editorial. Sempre com histórias curtas, o início é bastante leve, e aos poucos as histórias ficam mais sérias, com arcos narrativos mais elaborados e com maior profundidade.


Seu sucesso foi tão grande que influenciou muitos autores a fazer, não apenas histórias sobre judô ou outras artes marciais, mas também a desenvolver o que seria chamado Sports Manga, o gênero de quadrinhos que sempre mostra histórias inspiradoras de jovens buscando a excelência em algum esporte.


Obra-prima de Eichi Fukui (1921~1954), Igaguri Kun (sendo "kun", um tratamento honorífico para crianças ou jovens) foi publicado entre 1952 e 1954, na revista Bôuken Oh ("O Rei da Aventura"). A antologia, que atingia meninos e meninas do Ensino Fundamental, foi publicada pela editora Akita Shoten entre 1949 e 1983. Com grande sucesso, o personagem ganhou versão live-action em 1960, na forma de um dorama produzido pelo estúdio Kansai Television para a TV Fuji.

Edição japonesa de Igaguri Kun.
Edição japonesa de Igaguri Kun.

A edição brasileira do clássico mangá, publicada pela editora Tundra, segue os padrões da publicação americana da Bubbles Zine, de 1924, que compilou e restaurou as artes originais.


Como extra da edição para o ocidente, há uma extensa reportagem assinada pelo estudioso Ryan Holmberg, onde ele não apenas fala sobre Igaguri e seu autor, como também traça um amplo panorama sobre o mangá da época, as evoluções no desenho, na forma narrativa e no conteúdo.


Holmberg também fala sobre as origens e presença na cultura pop do judô, essa arte marcial desenvolvida pelo mestre Jigoro Kanô (1860~1938), que condensou a essência das principais escolas de Jiu-Jitsu, uma arte marcial que era praticada pelos antigos samurais. A reportagem também aborda como o lendário Osamu Tezuka via Fukui como um grande rival, a ponto de invejar seu trabalho. Genial, inovador e empreendedor, Tezuka também era muito competitivo e egocêntrico, e lidou com isso a vida inteira, sempre almejando o topo da carreira.


Repleta de informações e referências, a extensa pesquisa de Ryan Holmberg tem quase 80 páginas, várias delas coloridas, e poderia ter sido facilmente lançada como um livro independente. Apresentado como complemento da encadernação definitiva de Igaguri, o texto torna a edição um item obrigatório na estante de qualquer interessado em ir mais a fundo no conhecimento sobre o mangá clássico.


Acima de tudo, Igaguri é uma leitura divertida e com grandes momentos. De vida breve, Eiichi Fukui faleceu com apenas 33 anos, e por isso não foi tão longe quanto poderia ter ido, mas deixou em Igaguri um grande legado.


Shock Wave Stream: História, política e economia com Ju Ginger e Evandro Pontes.
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IGAGURI - O Jovem Judoca

Título original: Igaguri Kun ~ イガグリくん

Roteiro e arte: Eiichi Fukui  Ensaio: Ryan Holmberg

Tradução e edição: Luis Panigassi

Lançamento: Editora Tundra (2026)


Formato em 3 volumes: 16 x 22cm, com 304 páginas

- Classificação indicativa: Livre



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