• Ale Nagado

Shotaro Ishinomori - Rei do Mangá

A trajetória de um dos maiores gênios da cultura pop japonesa!

Ishinomori (segurando a caneta bico-de-pena) e alguns de seus personagens.

Para a maior parte dos fãs e pesquisadores de mangá pelo mundo, Osamu Tezuka (1928~1989) foi o maior autor de todos os tempos. É reconhecido como o principal codificador da linguagem visual do moderno mangá e foi uma lenda reverenciada ainda em vida. Mas, para o grande público japonês, há um outro antigo mestre capaz de rivalizar com Tezuka e até superá-lo em alguns aspectos. Ele é Shotaro Ishinomori, que faleceu há mais de 20 anos e ainda tem seu trabalho influente e com destaque na mídia, graças às constantes releituras, adaptações e novas versões de suas obras. Seus personagens mais conhecidos são Kamen Rider e Cyborg 009, mas sua obra e influência vão muito além. Seu nome verdadeiro era Shotaro (lê-se como "Shoutarou") Onodera e ele nasceu em 25 de janeiro de 1938 na cidade de Ishinomori, distrito de Tome, na província de Miyagi, região de Tôhoku, que é a parte nordeste do Japão. Ele adotou o nome artístico de Shotaro Ishimori logo no começo de carreira. Somente na década de 1980 ele mudaria a assinatura para Ishinomori. Em 1954, com apenas 16 anos, venceu um concurso para novos talentos e isso lhe valeu um convite para ser assistente de Osamu Tezuka, que já era um profissional respeitado. Para trabalhar com Tezuka e aprender sobre o ofício enquanto desenvolvia suas próprias criações, ele deveria se mudar para Tokyo e interromper os estudos.


UM COMEÇO DIFÍCIL E UMA GRANDE PERDA


Seu pai era contra ele se tornar artista profissional e só concordou em deixá-lo ir quando sua filha mais velha, que já tinha 19 anos, se ofereceu para acompanhar e ajudar o irmão. Ela sempre foi a maior incentivadora do trabalho de Ishinomori, e cuidava dele com muito zelo, desde que eram pequenos. Assim, por indicação de Tezuka, o jovem Shotaro e sua irmã Yoshie Onodera foram viver na hoje lendária pensão Tokiwa. Lá, o iniciante artista conviveu com outros jovens como ele, que viriam a criar a primeira grande leva de autores populares de mangá, com uma explosão de criatividade. Osamu Tezuka ficou pouco tempo lá, mas entre os moradores havia nomes que se tornariam famosos, como Fujio Akatsuka (1935~2008, autor de Osomatsu-kun e Himitsu no Akko-chan), Hideko Mizuno (de Honey Honey) e a dupla Hiroshi Fujimoto (1936~1996, autor de Super Dínamo e Doraemon) e Motoo Abiko (1934~2022, de Ninja Hattori-kun e Manga Michi), que assinavam em conjunto como Fujiko Fujio. Foi na Tokiwa, com os artistas ajudando-se mutuamente para cumprir prazos, que começou a se desenvolver o esquema de contratação de assistentes para o autor se concentrar na história, no desenho à lápis e na finalização das figuras, deixando o cenário, efeitos gráficos e acabamento para outros.


O ambiente era criativo e propício para a troca de ideias, com muita empolgação e experimentação. Um futuro promissor começava a se desenhar. Porém, uma grande tragédia marcaria a vida de Ishinomori e das pessoas que lá viviam.

Yoshie Onodera. Uma vida curta, decisiva para a vida de um dos mais importantes autores de todos os tempos.

De saúde frágil, Yoshie Onodera sofria de asma e viria a falecer de graves complicações respiratórias em abril de 1958, aos 23 anos. Internada com uma crise asmática muito forte, foi medicada com morfina em dosagem alta, o que lhe causou uma parada cardíaca e a levou a óbito.


As condições precárias da Tokiwa - fora o acúmulo de papéis e poeira - contribuíram para seu triste destino. Tentando nunca incomodar e sempre tentando parecer que estava bem, ela praticamente deu sua vida para que o irmão lutasse por seus sonhos. Consta que Yoshie era muito bonita e simpática, tendo sido a paixão platônica de vários moradores da Tokiwa. Sua morte afetou profundamente Ishinomori, que teve de seguir em frente sem sua maior apoiadora. O impacto que essa jovem, desconhecida do grande público, teve sobre a cultura pop jamais poderá ser mensurado. Em 1960, Shotaro produziu a versão em mangá de Kaiketsu Harimao, um dos primeiros super-heróis da TV japonesa. Outra ocasião em que desenhou criação de outra pessoa foi com sua versão para o boneco italiano Toppo Gigio, feita em 1967. Mas foi com suas criações pessoais que Ishinomori se tornaria reverenciado em seu país como um grande gênio.

Cyborg 009 (ao centro) e seus amigos. Equipe internacional já nos anos 1960.

O INÍCIO DA LENDA

Seu primeiro grande sucesso comercial foi o Cyborg 009, que surgiu em 1964 nas páginas da revista Shonen King. Com nove heróis ciborgues de diferentes países, liderados por Joe Shimamura, a saga dos ciborgues teve vários arcos de história, em diferentes revistas. Com 36 volumes compilados, talvez tenha sido o grande trabalho da vida do autor, tendo sido deixado incompleto. Foi adaptado como animê para cinema em 1966 e 67, ganhando sua primeira série de TV animada em 1968. A TV japonesa já era colorida desde 1966, mas essa primeira série do 009 foi em preto-e-branco e chegou a passar no Brasil na extinta TV Tupi. 009 teve também um longa em 1980, que foi lançado em vídeo no Brasil, com o título Cyborg 009 Contra o Monstro do Mar.


Uma outra série de TV, produzida em 2001, foi exibida no Cartoon Network. Já nos tempos atuais, no portal NETFLIX estão disponíveis as produções Cyborg 009 vs Devilman (2015) e Cyborg 009 - Call of Justice (2017), ambas em três partes cada. Muito conhecido no Japão, Devilman é uma das criações mais famosas de Go Nagai, autor do icônico robô Mazinger Z e outro velho mestre reverenciado do mangá e animê. Da safra mais antiga de animês, a série em P/B baseada em mangá de Ishinomori foi o Esquadrão Arco-Íris (Rainbow Sentai Robin), série de 1966 que também foi exibida no Brasil. Longe dos super-heróis, seu interesse por ficção científica deu origem a Genma Taisen, criado em parceria com o escritor Kazumasa Hirai e que teve mangá em 1967, compilado em volume único. A versão em animê para cinema veio em 1983, com direção de Rintarô e design de personagens por Katsuhiro Otomo. Uma versão para TV com 13 episódios foi lançada em 2002 e exibida no Brasil no extinto canal pago Animax.

Zero-Zero Kunoichi

Nos idos de 1967, Ishinomori também produziu um mangá ousado para adultos, com muita ação em tramas de espionagem. É 009-1, que não tem relação alguma com o Cyborg 009. Em japonês, a série é escrita como 009ノ1, que se lê "Zero zero ku no ichi", sendo que "kunoichi" é o termo que designa uma ninja mulher. O título gerou 6 volumes e teve uma série de TV com atores chamada Flower Action 009-1 em 1969. Anos depois, veio uma série em animê em 2006 intitulada 009-1. Um novo live-action viria em 2013, com direção do aclamado Koichi Sakamoto.

Sabu e Ichi

Em 1968, surgiu a obra Sabu to Ichi Torimono Hikae (Sabu and Ichi´s Detective Stories), publicada na revista Big Comic, que venceu um prêmio na editora Shogakukan e foi adaptada em um animê para adultos. A série contava as aventuras do jovem investigador Sabu e seu amigo espadachim Ichi, que percorriam o Japão antigo ajudando pessoas em dificuldades. Sabu to Ichi teve vários arcos de histórias publicadas, totalizando 17 volumes, sendo uma das obras mais importantes do conjunto da obra de Ishinomori, ao lado de Cyborg 009. Teve uma série de TV em animê com 52 episódios em 1968, uma versão live-action para TV em quatro partes entre 1981 e 82 e outra para cinema, também com atores, em 2015.


UM MESTRE INOVADOR E VERSÁTIL

Kamen Rider: Um grande mangá e um novo paradigma no tokusatsu.

Trabalhando com o produtor Toru Hirayama, ele ajudou a definir padrões para os super-heróis japoneses, distanciando-os das influências de Ultraman e da Tsuburaya Pro. Seu herói sombrio Skullman foi sendo remodelado e desenvolvido até se chegar ao conceito do ciborgue com visual e poderes de gafanhoto que seria o primeiro Kamen Rider, lançado simultaneamente em mangá e na TV, através da parceria com a Toei Company, no início da década de 1970. Ishinomori trabalhou no mangá de Kamen Rider, enquanto Hirayama formatou a série para um programa semanal e coordenou a equipe de produção. Produção inspirada e cheia de nuances políticos, Kamen Rider foi publicado no Brasil somente em 2021, pela Editora NewPOP. O tema do herói trágico que usa um poder concebido para o mal e desafia seu destino para proteger a liberdade e a vida das pessoas é recorrente na obra de Ishinomori e conquistou o público. Concorrendo diretamente com O Regresso de Ultraman e Spectreman em 1971, o seriado tokusatsu do Kamen Rider causou uma verdadeira febre entre as crianças do Japão. Com poucos recursos, a série era rica em drama e ação, com pitadas de terror, levando as aventuras de super-heróis a um novo patamar. Mas Ishinomori não se contentou em acompanhar de longe a adaptação de seu herói. Além do mangá, que foi compilado em quatro volumes, ele dirigiu e coescreveu um episódio da série de TV, o de número 84. O trabalho recebeu elogios do produtor Hirayama, mas os editores de Ishinomori não deixariam ele se aventurar muito atrás das câmeras (coisa que faria pouquíssimas vezes). Era como autor de mangá que ele continuaria a trabalhar e o êxito da parceria de seu estúdio Ishimori Pro. com a Toei geraria muitos outros frutos. O sucesso da série Kamen Rider, com 98 episódios, deu origem a uma franquia, com novos Riders sendo criados um após o outro.

Kikaider: Seu design inovador foi homenageado na série Metalder - O Homem Máquina.

A explosão de popularidade do Kamen Rider gerou o Henshin Boom, a mania por heróis de tamanho humano que se transformavam com poses estilosas. Vieram na sequência o Henshin Ninja Arashi (1972) e os androides Kikaider (1972) e Kikaider 01 (73), sempre feitos no esquema de parceria entre o autor e a Toei.


Geralmente o produtor Hirayama discutia alguns conceitos gerais com Ishinomori, que vinha com a história básica e o design dos personagens. Aí, Ishinomori trabalharia no mangá e Hirayama na série de TV, separadamente. Muitas obras foram feitas dessa forma. Sendo considerado uma mina de ouro pela Toei, Ishinomori elaborou personagens e enredos básicos para muitas outras séries em linha de produção, como Robot Keiji (1973), Inazuman (73), Akumaizer 3 (75), Zubat (77), Dai Tetsujin 17 (77) e muitos outros. De heróis "menores" em sua obra e que ficaram conhecidos no Brasil, podemos citar Machine Man (85) e Bicrossers (86). Esses dois, bem como vários outros, não tiveram mangá produzido por Ishinomori.

O Esquadrão Secreto Gorenger.

A dupla Ishinomori e Hirayama criaria outra série icônica, o Gorenger em 1975, que seria o primeiro grupo Super Sentai, franquia com o maior número de séries de TV até hoje. Gorenger e seu sucessor, o esquadrão JAKQ ("Jakkar") deram início à linhagem Super Sentai, mas só foram assim reconhecidos pela Toei muitos anos depois. Com a explosão das adaptações ocidentais que formam a franquia derivada Power Rangers, o Super Sentai ganhou o mundo.


Junto com o grande parceiro Hirayama, desenvolveu também a linha Fushigi Comedy ("Comédias maravilhosas"), que começou em 1981 com o Robot 8-chan. Entre 1989 e 1993, dentro dessa ideia de produções mais cômicas, houve uma sequência de séries de aventura com heroínas uniformizadas em histórias leves e cheias de humor. É dessa linhagem a personagem Patrine (Poitrine, 1990), que chegou a ser exibida no Brasil na extinta TV Manchete. Nas várias séries Kamen Rider que sucederam à original, Ishinomori teve pouco envolvimento, geralmente se limitando a algumas reuniões e esboços de histórias. Mas em 1984, pegou todo mundo na Toei de surpresa, quando anunciou que estava planejando um novo Kamen Rider, que seria tema de um longa-metragem para TV, o Kamen Rider ZX (leia Z-Cross).

Em 1986, publicou os dois volumes da grandiosa obra Manga Nipponkeizai Nyūmon (マンガ日本経済入門), lançada nos EUA como Japan Inc.: Introduction to Japanese Economics (disponível na Amazon). Sendo capaz de discorrer sobre assuntos extensos e complexos, produziu um mangá sobre a história do Japão, com 48 volumes.


Mais ou menos na mesma época, o mestre encontrou tempo para produzir uma aclamada biografia em mangá de Hokusai Katsushika (1760~1849), autor da famosa série de xilogravuras conhecida como “A Grande Onda de Kanagawa”, um dos símbolos das artes gráficas japonesas, que rendeu três volumes. O trabalho foi lançado no Brasil, em volume único, pela Editora Pipoca e Nanquim em 2021.

Edição da Shonen Sunday com a estreia de Kamen Rider Black.

Voltando aos Kamen Riders, Ishinomori produziu somente mais um mangá para a franquia, o Kamen Rider Black (1987), na revista semanal Shonen Sunday (lançado no Brasil em 2022 pela NewPOP). A versão para a TV de BLACK foi produzida por Susumu Yoshikawa, tendo seguido uma linha bem diferente daquela adotada no mangá. O mangá foi bastante sombrio, um tom que foi atenuado na TV, que ainda assim teve um início impressionante. Já a continuação, Kamen Rider BLACK RX (1988), mal teve a participação de Ishinomori, que continuava focado nos mangás. Sua versatilidade parecia não ter limites e sua produtividade era assombrosa. Enquanto Tezuka teve um recorde registrado de 300 páginas num único mês, Ishinomori chegou a um pico de produção de 500 páginas em um mês, trabalhando simultaneamente para diferentes revistas. Mesmo com assistentes cuidando de cenários e acabamento e sendo o desenho dele bastante estilizado, é uma marca impressionante, nunca superada. Pela altíssima qualidade, influência e extensão de sua obra, é chamado em seu país de "Rei do Mangá", um título somente superado por Tezuka, aclamado em vida como o "Deus do Mangá". Ishinomori tinha algumas crenças bastante pessoais e consta em algumas referências que ele acreditava na interpretação das profecias de Nostradamus que fizeram muita gente acreditar que o mundo iria ser destruído na virada do ano 2000. Isso se refletia em suas histórias, que raramente mostravam o mundo depois desse ano.


O final niilista de Kamen Rider Black no sexto volume do mangá é um bom exemplo, com o herói sozinho em um mundo morto após viajar no tempo e se confrontar com seu irmão de criação convertido para o mal. Foi uma batalha decisiva perto da virada do novo milênio. Vale lembrar que o mangá de Black tem muito pouco a ver com a série tokusatsu, sendo que foram autorizadas três adaptações na época, bem mais fieis à TV. Entre um mangá e outro, Ishinomori fazia pontas em algumas produções, antecedendo em décadas as aparições do roteirista Stan Lee nos filmes da Marvel. E, trabalhando sem parar, aprendeu a escrever letras de músicas. É dele a autoria da letra da primeira versão de "Let´s Go! Rider Kick", tema de abertura do primeiro Kamen Rider. Ele também escreveu letras para os temas de abertura de Kamen Rider V3, X, Amazon, Super 1, Sky Rider, Robocon, Kikaider, Gorenger, Machine Man e Bicrossers, entre muitas outras canções que tocaram em produções onde participou da criação.

Hotel, um clássico cheio de entusiastas, e sem relação alguma com aventura, ficção científica ou super-heróis.

Outro campo onde Ishinomori deixou sua marca foi na área dos dorama, as novelas japonesas, principalmente por causa de HOTEL, baseado em mangá com histórias de cotidiano que estreou em 1984 na revista Big Comic e gerou 37 volumes encadernados, sendo uma das obras de grande renome do mestre. HOTEL teve dorama seriado e também vários especiais de TV.


Em 1992, foi lançado Shin Kamen Rider, um violento filme para adultos com uma nova e sombria versão de seu famoso herói. O filme foi roteirizado por seu filho Jo Onodera, e Ishinomori fez uma ponta, como membro de uma organização secreta. A obra, infelizmente, não fez sucesso e parte do fracasso se deveu ao roteiro fraco e arrastado. Mas, se por um lado Joe Onodera não mostrou o talento criativo do pai, ao menos conseguiu deixar sua marca como ator. Ele trabalhou em Machine Man e Kamen Rider BLACK RX em papéis cômicos. Depois, foi o oficial Nakajima, um dos personagens principais de Ultraman Dyna, em 1997, tendo voltado algumas vezes ao papel em aventuras posteriores.

Ishnomori: O Rei do Mangá

Ainda em 92, Ishinomori produziu uma adaptação em mangá do game The Legend of Zelda: A Link to The Past, para a revista japonesa Nintendo Power. Porém, problemas cardíacos foram minando sua saúde, e ele trabalharia pouco na década de 1990. Em 1993 e 94, acompanhou o lançamento dos Kamen Riders ZO e J, que estrelaram bons filmes dirigidos pelo badalado Keita Amemiya. Ishinomori faleceu em 28 de janeiro de 1998, apenas três dias após completar 60 anos, vítima de problemas cardíacos que já vinham deteriorando sua saúde há anos. Quando faleceu, estava envolvido com o planejamento do último arco de histórias de Cyborg 009, que ficou incompleto por muito tempo. Pouco tempo após o falecimento de Ishinomori, no início de 1999, saiu a última série de TV planejada pelo mestre: Voicelugger, sobre uma equipe estilo Super Sentai formada por veteranos dubladores e cantores de anime songs. Consta que ele também estava esboçando, para a Toei, algumas ideias para uma retomada da franquia Kamen Rider. Algumas ideias teriam sido aproveitadas na série Kamen Rider KUUGA, que retomou a linhagem e a transformou na franquia número um de super-heróis de tokusatsu.


Anos depois, em 2012, seu filho Jo Onodera escreveu o roteiro final da saga Cyborg 009 - God´s War, baseado em anotações e rascunhos de seu pai. A arte foi produzida por Masato Hayase e Sugar Sato, tendo sido publicada entre 2012 e 2014, totalizando cinco volumes.


PRESERVANDO O LEGADO

Pequeno detalhe de um dos pavilhões do Ishinomori Mangattan Museum, em Ishinomaki.

Em 2001, foi inaugurado o Ishinomori Mangattan Museum em sua homenagem, na cidade de Ishinomaki. O grande tsunami de 2011 castigou duramente a cidade e o museu ficou bastante danificado, mas a reconstrução mobilizou fãs e pessoas da indústria de entretenimento.


Depois de um grande trabalho de recuperação, o local foi reinaugurado em 2013. Para a ocasião, a Toei produziu um curta-metragem de exibição exclusiva no museu chamado Sea Jetter Kaito, transformando em realidade um super-herói que Ishinomori havia esboçado, mas que nunca fora utilizado em nenhuma história. E como se não bastasse tanta coisa que ele fez, Ishinomori ainda figura no Guiness Book of Records com a marca de maior número de mangás produzidos: 770 títulos espalhados em 500 volumes, totalizando cerca de 128 mil páginas, de acordo com a contagem oficial da entidade.

Em 2018, em comemoração aos 80 anos de nascimento, foi lançado o filme Hero wo Tsukutta Otoko - Ishinomori Shotaro History (ヒーローを創った男 石ノ森章太郎物語), ou "O Homem que Criava Heróis - A História de Shotaro Ishinomori". Em formato de dorama de longa-metragem para a TV, a obra contou de modo romanceado a trajetória do autor em sua juventude. O filme também foi uma forma de homenagear Yoshie Onodera, a irmã do autor, bem como seus colegas de geração.


Um dos maiores criadores de entretenimento do Japão em todos os tempos e com vários campos de atuação, a obra de Ishinomori é eterna. Com seu trabalho e carreira incomparáveis, ele não apenas merece o título de Rei do Mangá, mas também de Rei da Cultura Pop Japonesa. Sem ele, provavelmente não haveria uma indústria de entretenimento no Japão como conhecemos hoje.


::::: E X T R A :::::

Mangá é "MANGÁ"! A História do Herói que criou Heróis

マンガは“萬画”だ!〜ヒーローを生み出したヒーローの物語〜

- Veja agora um emocionante curta em animação lançado pela Ishimori Pro. em 2018 para celebrar a obra do mestre. É absolutamente lindo!


Site oficial: www.ishimoripro.com

(Agradecimentos a Felipe Onodera e Stephano Bahia)


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