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Rosa da Liberdade: A História de Rosa Miyake

A trajetória da maior estrela nipo-brasileira de todos os tempos e de seu programa de TV, o Imagens do Japão.

Capa da biografia, lançada em 2018.
Capa da biografia, lançada em 2018.

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Durante muitos anos, e com muita força nas décadas de 1970 e 80, as famílias de descendentes de japoneses assistiam a um programa de variedades chamado Imagens do Japão. Sua maior apresentadora foi Rosa Miyake, filha de imigrantes japoneses nascida em 14 de março de 1945 na cidade de Guararapes, no interior de São Paulo.


Começando como cantora amadora em rádio, foi galgando posições na carreira e extrapolou a colônia japonesa, tamanha era sua simpatia, talento e beleza. Rosa Miyake é a mais importante artista nipo-brasileira de todos os tempos, e sua trajetória foi narrada no livro Rosa da Liberdade - A História de Rosa Miyake e do Programa de TV Imagens do Japão, escrito por Ricardo Taira, um veterano do jornalismo impresso e televisivo.


Com um trabalho de resgate histórico baseado em entrevistas com a biografada e pessoas próximas, além do acesso ao acervo fotográfico da artista, Taira fez uma concisa e reveladora exposição de uma carreira impressionante, que começou na década de 1960, no meio da colônia japonesa.


Por vários motivos, a colônia japonesa já foi bastante fechada. O período da Segunda Guerra Mundial foi altamente discriminatório para com os imigrantes japoneses e seus descendentes, e a preservação da cultura e do idioma passava por certo isolamento. Mas era também uma colônia muito numerosa, e que começava a ter um padrão de vida em ascensão. Isso permitiu que o bairro paulistano da Liberdade - tradicional reduto japonês - abrigasse até 4 cinemas voltados a filmes japoneses, com sessões lotadas e até mesmo visita de atores japoneses ao Brasil, conforme é contado no livro Cinema Japonês na Liberdade, de Alexandre Kishimoto. Havia uma efervescência cultural naquele meio.

Capa do disco de Rosa, lançado no Japão.
Capa do disco de Rosa, lançado no Japão.

Foi nesse cenário que concursos de canto eram transmitidos por programas de rádio voltados à colônia japonesa, inclusive com lançamento de discos no Brasil. E dentre tantas vozes de aspirantes a um espaço como cantores profissionais, Rosa Miyake começou a se destacar. Dona de uma grande voz e de uma interpretação segura, ela também chamava a atenção por sua beleza, décadas antes do padrão oriental se tornar referência na cultura pop.


Cantando em japonês e em português, lançou alguns discos, entre álbuns e singles, e acabou chegando na Jovem Guarda, um programa de TV que simbolizava o emergente e comportado rock dos anos 60, apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. Lá, foi apelidada de "Bonequinha da Jovem Guarda", por sua graciosidade que conquistou muitos fãs.


Como atriz, Rosa Miyake também foi a primeira - e até agora, única - atriz descendente de japoneses a ser a protagonista de uma novela. Tendo estreado em 1968 na extinta TV Tupi, a novela Yoshico, Um Poema de Amor, trazia como par romântico de Rosa o ator Luiz Gustavo, que depois faria seu grande sucesso, Beto Rockfeller.


Certamente a canção mais famosa de Rosa é o jingle "Pobre pescador", criado para o comercial da Varig que anunciava, em 1968, o primeiro voo comercial direto entre o Brasil e o Japão. Ela também lançou disco no Japão e se apresentou na TV, e só não foi morar lá porque não se imaginava vivendo longe do Brasil e de sua família.

Rosa Miyake em Yoshico, Um Poema de Amor (1968).
Rosa Miyake em Yoshico, Um Poema de Amor (1968).

Apresentando o Imagens do Japão na TV Gazeta e na TV Record, Rosa se concentrou no trabalho de apresentadora, se tornando uma voz da colônia japonesa, sempre esbanjando simpatia. Trouxeram astros da música japonesa e apresentaram atrações da emissora japonesa NHK.

O Imagens do Japão foi o maior projeto cultural de Mario Okuhara, ex-radialista e empreendedor que se tornaria o marido de Rosa Miyake. Quando ficou viúva em 2001, começou a se afastar dos holofotes, deixando o programa. Atualmente aposentada e vivendo nos EUA, Rosa Miyake sempre se recorda com muito carinho de cada trabalho feito.


O livro finaliza apresentando o trabalho de Mario Jun Okuhara, filho de Rosa e Mario, que construiu uma trajetória combativa e realizadora de trabalhos no resgate de memórias - muitas delas dolorosas - e de valores da comunidade nipo-brasileira. Em tempos de massificação da cultura pop japonesa, é importante que o trabalho feito no Imagens do Japão seja não apenas resgatado, mas também continuado.


Leitura saborosa e rica de informações, a obra presta uma merecida homenagem à trajetória de uma vida repleta de conquistas e serviços prestados à cultura e ao fortalecimento dos laços entre o Brasil e o Japão.


ROSA DA LIBERDADE - A História de Rosa Miyake e do Programa de TV Imagens do Japão

Autor: Ricardo Taira

Lançamento: Editora Contexto (2018)

Formato: 13,7 x 20 cm, com 128 páginas

::: E X T R A S :::


[ 1 ] "Pobre Pescador" ~ Comercial da Varig

Composição: Archimedes Messina Intérprete: Rosa Miyake


  • Clássico da publicidade, a animação foi dirigida pelo desenhista, publicitário e autor de quadrinhos Ruy Perotti. Produção do estúdio Lynxfilm para a agência Expressão, em 1968. O simpático Urashima Taro apareceria em outros comerciais da Varig.


[ 2 ] "Pobre Pescador/Urashima Taro"

Composição original: Archimedes Messina Versão em japonês e arranjo: Hidenori Sakao


  • Versão da mesma canção, regravada para lançamento comercial em compacto de vinil, com uma letra levemente alterada para não mencionar a Varig, e acompanhada de sua versão em japonês.


[ 3 ] "Otomodachio no koibito" ~ 友達の恋人

Composição: Roberto Carlos / Versão em japonês: Akiko Ginkawa

  • Versão em japonês do sucesso "Namoradinha de um Amigo Meu", de Roberto Carlos, a música foi lançada no Japão em 1968, onde teve boa repercussão, sendo regravada por Teruhiko Saigou, que havia adaptado a letra com o pseudônimo de Akiko Ginkawa.


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