• Ale Nagado

A Colegial de 35 Anos

Um drama que mergulha no cruel mundo do ijime, o bullying japonês. Em uma escola de situação critica, quem irá se levantar contra a violência é uma colegial diferente e especial.

Ryoko Yonekura é Ayako Baba, uma estudante colegial diferente.

O bullying, chamado no Japão de ijime, é um dos temas mais espinhosos quando se mostra a vida escolar do país. Contrastando com a formalidade das escolas, o bullying no Japão é extremamente comum e igualmente violento, causando traumas, evasão escolar, originando pessoas com fortes fobias sociais e provocando suicídios de crianças e jovens em índices alarmantes.


São milhares de vítimas todo ano e o assunto, apesar de sempre abordado, nunca foi combatido de modo eficaz ou duradouro. Esse é o tema central de um dorama (ou apenas "drama") para TV de 2013 intitulado Sanju Gô-Sai no Koukousei (35歳の高校生), ou "A Colegial de 35 Anos".


Na trama, Ayako Baba (vivida por Ryoko Yonekura) é uma mulher madura e independente que resolve se matricular no colégio Kunikida, da cidade de Kawahama, a fim de concluir seus estudos formais. Com um passado traumático, ela havia interrompido seu curso na última etapa do ensino médio, 18 anos antes. A classe recebe Ayako com estranheza e ela é logo isolada. Mas sua atitude positiva e experiência de vida a levam a resolver situações difíceis às quais as vítimas de ijime no colégio Kunikida são submetidas.

O Colégio Kunikida, palco de maus tratos, abusos e suicídio.

Aos poucos, ela vai fazendo amigos, mas também criando inimigos entre os alunos mais agressivos. O professor responsável pela classe é Koizumi (vivido por Junpei Mizobata), um sujeito até bem intencionado, mas fútil e de personalidade fraca. Junto com ele, a sala dos professores é um verdadeiro centro de pessoas frustradas, negligentes e atemorizadas.


Cheia de surpresas, Ayako já foi um pouco de tudo na vida, de segurança a hostess (espécie de recepcionista de bar encarregada de usar charme e simpatia para fazer os clientes gastarem mais com bebidas). Os mais chegados a chamam carinhosamente de "Baba-chan", mas a maioria só se refere à ela como "obasan" ("tia"), um termo que crianças e jovens normalmente usam para chamar mulheres mais velhas. Aqui, foi traduzido como "tiazona" pra passar a conotação certa, pois não é dito com formalidade ou reverência, e sim com certo deboche.


Calma e introspectiva, ela começa a cumprir uma espécie de plano naquela escola, que tem uma situação critica. Ela possui uma relação de aluna e mestre com o temido superintendente Asada, a maior autoridade em ensino da cidade. Eles se encontram e se comunicam constantemente e o passado em comum deles vai sendo revelado ao longo da série.

Ayako Baba: Tentando ajudar os mais jovens enquanto lida com os fantasmas de seu passado.

Conforme os dias passam, vai sendo desvendado para Ayako o motivo de muitas atitudes estranhas dos alunos. Nessa escola, os alunos são divididos em castas, especialmente os veteranos de sua sala, a 3-A.


Com tal divisão por popularidade, os da elite mandam e desmandam. Atrapalham aulas, saem a hora em que bem entendem e fazem os outros de empregados pessoais. Os do segundo nível têm certo grau de liberdade, mas não podem se manifestar muito, sendo considerados neutros e inofensivos. E os do terceiro e último nível têm suas vidas transformadas em um Inferno, sofrendo todo tipo de agressão psicológica e ameaças físicas.


As classificações não são apenas convenções sociais que ficam subentendidas ou implícitas, mas aparecem catalogadas em um site secreto, conhecido e compartilhado entre os alunos. Cair para o terceiro nível é o pesadelo para qualquer um.


O site também é acessado pelos professores, receosos em saber como estão sendo vistos. A neurose causada pelo sistema de castas e suas classificações contamina a quase todos. Alheia a tudo isso, a perplexa Ayako tenta fazer o que pode, mas até ela tem seus momentos de fragilidade e insegurança, quando fica sem ter a quem recorrer, pois ela é a referência e o porto seguro para seus colegas.


Com sua atitude solidária e corajosa, Ayako ajuda alguns alunos e professores, mas descobre que, apesar de alguns se tornarem seus amigos, outros logo voltam aos seus vícios de comportamento. E, para sua tristeza, constata que oprimidos também podem se transformar em agressores violentos e sádicos.

As garotas da elite do colégio Kunikida: Traições, crueldade e delinquência juvenil.

Logo nos primeiros capítulos, alguns mistérios vão sendo jogados na trama, pois assim como Ayako aparentemente está numa missão secreta, há também um elemento oculto e sinistro à espreita. E está dentro da escola, mais próximo do que ela pode imaginar. Ajudar os colegas também vai levar Ayako a enfrentar os fantasmas de seu passado conturbado e irá levá-la aos seus limites físicos e mentais.

A trama tem momentos de grande intensidade dramática, mas alguns alívios cômicos forçados (que em geral não funcionam) e a presença do "vilão secreto" diluem um pouco a questão das origens sociais e formas de enfrentamento ao ijime/bullying. Ainda assim, é um bom drama, com personagens que fazem você entrar na história e torcer por eles.


Os seus 11 episódios têm, em sua maioria, tramas auto-contidas, com um formato mais próximo de um seriado do que de uma novela. Cada episódio tinha 54 minutos (com comerciais) em sua exibição original na emissora NTV do Japão. O capítulo final, intenso e catártico, teve o dobro de duração dos demais. Na exibição televisiva original em 2013, teve a excelente média de 13,3% de audiência, com pico de 15,1%.


Esse dorama foi transmitido ao Brasil durante um tempo pelo portal Crunchyroll, mas infelizmente não faz mais parte do catálogo.

Ryoko Yonekura: Uma estrela em seu país.

Na equipe de produção, a trilha foi composta por Masaru Yokoyama, produtor do grupo idol Momoiro Clover Z e autor de músicas para os animês de Mobile Suit Gundam - Iron Blooded Orphans, Arakawa Under The Bridge e Negima. E curiosamente, o dorama tem muitas ligações com a franquia Kamen Rider nos bastidores. O narrador foi Rikiya Koyama, que interpretou o herói coadjuvante Joe Kazumi em Kamen Rider Black RX (1988). Outro nome conhecido na franquia Kamen Rider é Masaki Suda, que coestrelou Kamen Rider W (2009). O elenco também traz Alice Hirose, que interpretou uma versão moderna da heroína Tackle no especial de cinema que reuniu Kamen Rider Decade e W em 2010. Outro ator, dentre os vários do elenco com participação em produções Kamen Rider, é Masahiro Takasugi, o Kamen Rider Ryugen da série Kamen Rider Gaim (2013). Nos bastidores, o roteirista (que também é ator e diretor) Yuuya Takahashi, que escreveu para as séries Kamen Rider Ex-Aid (2016) e Zero-One (2019), além de várias outras produções para os Riders.


O elenco jovem foi muito bem escolhido, com boas interpretações. Não se pode dizer o mesmo do núcleo dos professores e direção, com atores muito caricatos. A presença do veterano ator e cantor Tetsuya Watari (1941~2020) traz sobriedade como o superintendente Asada, mas o grande destaque do elenco é mesmo a atriz principal, a renomada Ryoko Yonekura.


Nascida em 1 de agosto de 1975, a belíssima Ryoko Yonekura começou a carreira como bailarina e modelo, mas logo revelou-se uma grande atriz, tendo trabalhado em diversos filmes e dramas. Com muitos fãs, mesmo sem experiência com dublagem, foi escolhida para fazer a voz oficial em japonês da Viúva Negra em filmes dos Vingadores e do Capitão América.


Como a corajosa e elegante Ayako Baba, Ryoko deu consistência a um papel que poderia render humor involuntário se não fosse feito por uma atriz competente. Em "A Colegial de 35 Anos", Ryoko teve o desafio de se integrar a um elenco bem mais jovem e conseguiu cumprir seu papel com naturalidade.


Com boa direção e passagens excelentes, essa série joga uma luz sobre a questão do iijime, dando exemplos de enfrentamento com solidariedade, empatia e companheirismo. Mesmo que, na vida real, as soluções estejam longe do patamar otimista apresentado pela série.


Leia também: - Vitamin - Um mangá sobre superação

- O suicídio na cultura japonesa


::: FICHA TÉCNICA :::


A COLEGIAL DE 35 ANOS

Título original: 35 (Sanju-Gô) Sai no Koukousei ~ 35歳 の 高校生

Título internacional: No Dropping Out - Back to School at 35

Estreia: 13/04/2013

Total: 11 episódios


Roteiro: Masahiro Yamaura e Yuuya Takahashi

Trilha sonora: Masaru Yokoyama

Direção: Noriyoshi Sakuma, Maki Nishino e Seiichi Nagumo

Supervisão geral: Futoshi Ohira

Realização: NTV


ELENCO


Ayako Baba: Ryoko Yonekura

Yukinobu Asada: Tetsuya Watari

Junichi Koizumi: Junpei Mizobata

Akari Nagamine: Nana Katase

Ai Yamashita: Erina Mizuno

Rina Hasegawa: Alice Hirose

Yuna Izumi: Shiori Kitayama

Hitomi Eto: Aoi Morikawa

Mizuki Kudo: Yua Shinkawa

Masamitsu Tsuchiya: Masaki Suda

Ryo Akutsu: Kento Yamazaki

Yoshio Noda: Takaaki Enoki

Ayako Baba (jovem): Mayu Matsuoka

Narrador: Rikiya Koyama


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