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Project R.E.D. - Perspectivas

Informações preliminares e algumas ponderações sobre a nova franquia de super-heróis japoneses.

Detalhe do capacete do novo Gavan. No cartaz: CHO TOKUHOU, ou "Super Relatório Especial"
Detalhe do capacete do novo Gavan. No cartaz: CHO TOKUHOU, ou "Super Relatório Especial"

Desde que começaram os boatos sobre o fim temporário da franquia Super Sentai, imediatamente surgiram outros sobre qual produção viria para ocupar o Super Hero Time, a sessão dos super-heróis da Toei Company na TV Asahi. E as informações têm surgido lentamente.

Conforme já anunciado oficialmente dias atrás, a Toei Company prepara não apenas uma nova série para o lugar de Gozyuger em 2026, mas sim todo um novo universo ficcional que deverá servir de pano de fundo para uma nova franquia. É o Project R.E.D., cujo nome traz as iniciais de Records of Extraordinary Dimensions, e o primeiro teaser foi apresentado pela Toei na manhã de 30 de novembro (que ainda era dia 29 no Brasil, graças ao fuso horário).

Teaser trailer:


A empreitada terá como primeira produção uma série estrelada pelo Super Policial do Espaço Gavan Infinity. Lembrando que o Gavan original (ou Gaban, Gyaban, Space Cop) foi lançado em 1982 e deu origem à franquia dos Uchuu Keiji, os Policiais do Espaço. De modo mais abrangente, Gavan inaugurou na TV Asahi uma linhagem de heróis que seria conhecida como Metal Heroes, e seria considerada uma franquia pelos fãs.


Ao que parece, a ideia da Toei é criar algo similar ao Universo Cinematográfico Marvel, com várias produções conectadas entre si, podendo desenvolver grandes sagas. Não é a primeira vez que a Toei tenta lançar um universo coeso de produções conectadas entre si para gerar grandes eventos.


Em 2012, para comemorar os 30 anos da série original, a Toei não apenas trouxe o clássico herói de volta, como lançou um sucessor para ele, o Gavan Type G. De visual quase idêntico, ele serviria para liderar uma nova geração de policiais do espaço e, futuramente, encabeçar o projeto Space Squad. Apesar de algumas boas produções, nada disso rendeu frutos e o projeto ficou pelo caminho.


Agora, com o fim do Super Sentai e precisando se manter no mercado, a Toei faz grande barulho com esse novo projeto. Mas esse novo Gavan Infinity, que terá um visual diferente e próprio, não está sendo anunciado como o renascimento dos Metal Heroes e nem dos Policiais do Espaço, mas sim o ponto de partida para uma nova franquia repleta de super-heróis.


Com um novo visual, nova origem, novo contexto e a pretensão de estabelecer um novo universo ficcional a partir do zero, qual a necessidade de chamar o novo herói de Gavan? A resposta está na segurança que dá atrelar um projeto novo a uma marca de sucesso, que possui fandom e um batalhão de colecionadores de brinquedos que já se sentem na obrigação de ter o novo Gavan Infinity em seu acervo de figuras.

O novo Gavan Infinity está sendo revelado aos poucos.
O novo Gavan Infinity está sendo revelado aos poucos.

O fandom do herói clássico e dos Metal Heroes em geral foi atraído de imediato com o primeiro anúncio oficial e as especulações começaram a pipocar. Do ponto de vista do marketing, uma jogada inteligente, mas obviamente não pode ficar só nisso. Teria sido uma boa e benvinda demonstração de arrojo dar um nome diferente e realmente começar do zero. É óbvio que grande parte do fandom vai tratar o Gavan Infinity como mais um Policial do Espaço, mais um Metal Hero e o terceiro Gavan da linhagem. Aliás, não será surpresa alguma se a Toei resolver criar um crossover entre Gavans.


Vincular uma ideia nova a uma marca estabelecida é o que a Toei tem feito com Kamen Rider. Alguns, como Hibiki e Fourze, apenas trazem Kamen Rider no nome para atrair o fandom e os colecionadores. Do ponto de vista criativo, é aquela amarra que se torna uma imposição de mercado. Lembrando que o tokusatsu com super-heróis, de modo geral, tem dois públicos distintos: as crianças para quem as obras são direcionadas, e os colecionadores adultos, sendo todos consumidores de brinquedos. Então, qualquer coisa que a Toei ou outros estúdios façam, precisa estar atrelada a alguma marca de sucesso no colecionismo, com pouco espaço para experimentações.


O tokusatsu, que teve no passado nomes criativos e ousados como Eiji Tsuburaya, Ishiro Honda, Tomoyuki Tanaka, Toru Hirayama, Tetsuo Kinjô, Mamoru Sasaki, Shotaro Ishinomori, Souji Ushio, Shozo Uehara e tantos outros, acabou se tornando refém de vendas de brinquedos. Praticamente desde a década de 1980, é o planejamento dos empresários do ramo de brinquedos que dá as diretrizes para os produtores e criadores das séries, e não o contrário.


Nas décadas de 1960 e 70, o tokusatsu era incrivelmente variado em forma e conteúdo. Na época dos grandes pioneiros, a preocupação era contar boas histórias, e depois vinha o licenciamento de produtos.

O logotipo oficial do Gavan Infinity, com o anel de Möebius ao fundo, o símbolo do infinito.
O logotipo oficial do Gavan Infinity, com o anel de Möebius ao fundo, o símbolo do infinito.

Antes, os brinquedos eram consequência, agora eles são o motivo principal das séries tokusasu serem produzidas. Isso não é saudosismo ou apego a paradigmas que se foram, mas sim uma constatação bastante realista sobre a acomodação que vem com a limitação de só trabalhar franquias, que são grandes universos ficcionais que potencializam a venda de brinquedos. Isso não atingiu só a Toei, mas também a Tsuburaya Productions e seus Ultras.


Finalmente, não se está aqui questionando ou depreciando o trabalho no Project R.E.D., que sequer estreou e sobre o qual se sabe tão pouco ainda. Porém, é inegável que a expectativa dos colecionadores de brinquedos poderá até ser plenamente satisfeita, mas sem uma boa dose de liberdade criativa e capacidade de arriscar, a nova franquia pode estrear carregada dos vícios e limitações de sempre.


Mais até do que o visual, é importante aguardar pela divulgação dos nomes envolvidos, especialmente para as posições de roteiristas, diretores e produtores, que fazem toda a diferença. Sem obras consistentes e que equilibrem tramas inteligentes com emoção, e sem uma produção satisfatória, o público de tokusatsu continuará com baixo índice de renovação. Ainda voltaremos ao assunto.


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