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Spectreman - O mangá

A versão em quadrinhos do clássico super-herói defensor do meio ambiente.

A arte de Daiji Kazumine.

A série de TV Spectreman apresentou um dos super-heróis japoneses de maior sucesso no Brasil, tendo sido exibida na TV Record e, até meados dos anos 80, no SBT. No Japão, foi uma das séries que desencadeou o "Kaiju Boom", uma grande mania por monstros no início dos anos 1970. Com uma produção um tanto precária, mesmo para a época, Spectreman esbanjava carisma com histórias dramáticas e grandes personagens.

Em paralelo à exibição em seu país, entre 1971 e 72, Spectreman teve uma versão em mangá, bastante fiel à série. Esse título, um autêntico clássico de um período de ouro do mangá, foi lançado no Brasil pela Editora Pipoca & Nanquim, em 2021. A trama segue praticamente a mesma estrutura da famosa série, mas a editora optou por utilizar os nomes originais japoneses, e não aqueles nomes que ficaram conhecidos na icônica dublagem brasileira dos estúdios da TVS. Vindo de um distante planeta habitado por homens-macaco ou simióides, o ganancioso Dr. Gori e seu auxiliar Lah (conhecido como Karas na versão ocidental) almejam conquistar a Terra. Pousando no Japão, Gori encontra um país sofrendo com os efeitos da poluição desencadeada pelo processo de rápida industrialização do Japão no pós-guerra. Gori então resolve utilizar a poluição para criar e fortalecer poderosos monstros gigantes.


Atentos à situação, a avançada raça dos Dominantes envia o andróide de batalha Spectreman, que assume uma identidade humana como Jooji Gamou (Kenji) e se junta à Divisão de Pesquisa e Controle de Poluição, sob o comando do Chefe Kurata. Sempre que surge um dos monstros enviados por Gori, Jooji se coloca à disposição para, de acordo com as ordens dos Dominantes, se transformar no poderoso Spectreman. Dotado de super-força, poder de voo, capacidade de alterar o tamanho para proporções gigantescas e com várias armas embutidas no corpo, Spectreman de torna um grande rival para as criações de Gori.

Uma das capas da edição japonesa do mangá.

Spectreman foi criado pelo desenhista, animador, técnico de efeitos especiais e diretor Souji Ushio (1921~2004), pseudônimo de Tomio Sagisu, fundador do estúdio P-Production, o mesmo que produziu Vingadores do Espaço e Lion Man, entre outros heróis. A série, de 63 episódios, foi um sucesso no Japão, tendo conquistado também muitos fãs nos EUA e no Brasil.


O tema do combate à poluição estava em debate na mídia e na política do Japão, movimentando a opinião pública e inspirando obras em mangá, animê e tokusatsu. O país sofria com sua industrialização desenfreada e colhia frutos amargos, com uma proliferação de doenças e problemas de saúde na população, tudo decorrente da poluição ambiental.


A adaptação oficial em mangá foi produzida pelo autor Daiji Kazumine (1935~2020), que se especializou em adaptações de séries e teve uma carreira longa e produtiva. Seu traço é rústico, expressivo e bastante representativo do mangá que se fazia entre os anos 1960 e 70.


A narrativa é direta e sem muitas sutilezas, algo que se explica pelo fato das aventuras terem sido publicadas em revistas infantis. Mesmo assim, as histórias são trágicas e com uma violência que soa inimaginável para quadrinhos infantis do presente. Pedaços de pessoas devoradas por um monstro, mortes sangrentas, perdas sofridas e grandes catástrofes são mostradas sem concessões, demonstrando as grandes diferenças culturais entre os quadrinhos japoneses e os ocidentais.

As quatro edições da versão brasileira, lançada pela editora Pipoca & Nanquim.

Algumas histórias são adaptadas diretamente dos roteiros da TV, que foram assinados por autores como Masaki Tsuji e Haruya Yamazaki. A versão japonesa do mangá, inclusive, credita os autores das tramas originais, quando é o caso. Daiji Kazumine teve liberdade para resumir e alterar as tramas, além de escrever histórias totalmente originais, sozinho ou com colaboradores como o roteirista Tougo Wakabayashi.


O mangá de Spectreman foi publicado em quatro revistas ao longo do tempo. Entre 1971 e 72, passou pelas revistas Shonen Champion, Adventure King, Bessatsu Adventure King (editora Akita Shoten) e Tanoshii Kindergarten (ed. Kodansha). As capas originais de Daiji Kazumine também são mostradas, com seu colorido vibrante, em uma galeria no começo. O mangá em si é em preto-e-branco, mas a saga começa com páginas coloridas desenhadas pelo criador Souji Ushio e o ilustrador Shoji Watanabe para narrar as origens do Dr. Gori e Lah. Assim como em quase toda a série de TV, o mangá é composto de arcos de dois episódios.


A versão brasileira, publicada pela editora Pipoca & Nanquim, é primorosa, com um bom texto adaptado e deliciosos complementos editoriais, como um guia de monstros e alienígenas da série, uma entrevista com o desenhista Daiji Kazumine realizada em 2018 e comentários sobre os episódios de cada volume, comparando (quando é o caso) a versão do mangá e a versão tokusatsu. E tudo com numerosas notas de rodapé, recheadas de informação. É um dos melhores trabalhos editoriais em uma publicação de herói clássico. Com este resgate editorial, Spectreman ganha um merecido registro de sua essência, conforme concebido por seu criador. Um super-herói bastante humano, lutando contra ameaças que, apesar de fantasiosas, trazem tanto alertas sobre a destruição da natureza quanto mostram como a ciência pode ser usada para fins malignos visando o controle totalitário da humanidade. Spectreman e o Dr. Gori, como perfeitos antagonistas, trazem a combinação de elementos que, bem utilizados, podem contar grandes histórias.



SPECTREMAN Títulos originais: Uchuu Enjin Gori, Uchuu Enjin Gori vs Spectroman e Spectroman

Autores: Souji Ushio (criação) e Daiji Kazumine (roteiro e arte)

Tradução: Drik Sada

Formato: 15,4 x 21cm Total: 4 volumes (428 a 476 páginas)

Lançamento no Brasil: Editora Pipoca & Nanquim (2021)


 

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